Mas aí percebi. Essas pessoas moravam longe. Algumas em outros continentes, outras em outros países, estados, cidades. Longe. Sempre longe.
Comecei a adicionar pessoas que moravam na mesma cidade que eu, assim um dia poderia encontrá-las pessoalmente.
Eu adicionei um garoto e comecei a conversar muito com ele. E ficava imaginando que ele morava pertinho de mim e que seria fácil encontrá-lo pessoalmente. Mas não. Por um erro eu adicionei uma pessoa que morava longe.
De todas as pessoas que eu adicionei, ele era a única que não morava aqui. Ele também foi o único que gostei.
Merda! Não é justo! Simplesmente não é justo!
Agora, finalmente, eu me permiti gostar de alguém, e ele mora longe.
Ele vai vir pra minha cidade mês que vem, mas vai ser por um dia só.
Não é justo.
A Internet não deveria permitir que isso acontecesse.
Ele me ajudou a por um nome de um bicho de pelúcia que eu ganhei, sugeriu o nome dele mesmo. E eu aceitei. Agora eu abraço esse bicho de pelúcia e fico pensando que ele poderia estar ali, que a gente poderia estar conversando pessoalmente. Cara a cara.
Mas que merda!
O pior é que ele gosta de mim também. Ficamos conversando por longas madrugadas, igual bobos. Sempre surge um assunto novo. Era disso que eu tava precisando, alguém para simplesmente... Falar comigo.
É claro que ele ainda não sabe de tudo.
Mas eu percebi que ele é simplesmente incrível. Quando contei que as vezes tinha ataques de pânico, ele me perguntou o que deveria fazer para ajudar se um dia isso acontecesse na frente dele. Ajudar.
É claro que isso nunca vai acontecer na frente dele, por que eu estaria feliz ali. Mas mesmo assim, foi a melhor resposta que eu poderia ter tido.
Quando a Internet cai, continuamos por mensagem. E assim vai.
Agora que eu percebi, talvez não seja culpa da Internet. Mas culpa da vida. Minha culpa. Culpa dele também.
Não importa.
Eu gosto dele.
Ele gosta de mim.
QUE SE FODA A DISTANCIA!




