É isso, mais uma noite. Porque,
porque? Eu não deveria, eu não quero... Não quero mais chorar, eu não aguento
mais. Principalmente por isso. Já passou, já foi. Porque eu continuo? Na verdade,
não quero chorar por mais nada. Nada nem ninguém. Cansei.
Hoje foi apenas mais uma noite em
que eu chorei. Enquanto andava de mãos dadas com... com um grande amigo... eu
refletia sobre tudo. Até que em certo momento, eu não estava mais lá. Fisicamente
sim, mas mentalmente... Nem eu sei onde estava. Eu lembrei de tantas coisas,
boas, ruins. Memórias.
Eu estava no modo automático, minhas
pernas se moviam... Esquerda, direita, esquerda, direita... Em passos curtos e
desanimados eu prosseguia pelas ruas. Sentia meu corpo pesado, meus pés se
arrastavam pelo chão. Uma mágoa enorme crescia dentro de mim. Eu sabia que
nessa noite, pelo menos uma porção dessa mágoa iria sair.
Estava com um casaco, vermelho
(que por curiosidade, tenho dois iguais), porém não sentia frio ou calor. Não sentia
nada além de uma terrível dor de cabeça e uma ardência nos olhos.
Eu parava de chorar, e começava
de novo. Varias vezes. A lua me fez chorar. Eu não faço a mínima ideia do
porque. Ela me fez lembrar. Merda, memórias. As estrelas, mal me lembro da
ultima vez parei para observa-las. Hoje o céu estava parecendo um grande telão,
com uma lua mágica e com estrelas estrategicamente posicionadas. Intrigante.
Conforme íamos caminhando, eu
reparava em pontos das ruas. E lembrava de coisas que, que estavam muito no
fundo dos meus pensamentos. Coisas pequenas, breves momentos. Eu lembrei, não sei
como. Somente lembrei. Eu vi as coisas acontecendo na minha frente, o carro. Eu
me lembro dele. Opala se não me engano. Claro que era Opala, Gg ficou fascinado
nele. Tirou várias fotos. É.
Apertei sua mão, ele não entendia
o porque. Só apertava minha mão de volta, e olhava pra mim. As vezes quando ele
parava de andar, e ficava pra trás. Eu chorava, muito. Porem não mudava meu
corpo, me segurava pra ele não perceber que estava desmoronando bem na sua
frente. Depois ele acelerava e me alcançava, e lá estávamos nós. De mãos dadas
novamente.
Os carros passavam e seus faróis
iluminavam e refletiam em minhas lágrimas, criando pequenos pontos brilhantes
em minha visão. Bonito, triste.
Já estava retornando para casa,
com os olhos mais ardentes ainda, agora vermelhos e inchados também. Com minha
cabeça prestes a explodir.
Enquanto caminhava pensava em
tudo. Lembrava de tudo. Merda
.
Nenhum comentário:
Postar um comentário